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Entrevista

FALANDO DE PONTAL DO PARANÁ

José Claro da Fonseca Neto é responsável pelo projeto Litoral Nota Cem, e mostra na entrevista um litoral que vai além da praia

Postado em 15/01/2021 às 03:23 |

José Claro da Fonseca Neto

"Falando de Pontal do Paraná" entrevista hoje José Claro da Fonseca Neto, que é Biólogo, especialista em Ecoturismo, Mestre em Zoologia e Doutor em Meio Ambiente. Ele é responsável  pelo projeto Litoral Nota Cem em Pontal do Paraná, que promove a divulgação do conhecimento científico sobre o litoral paranaense para estudantes e turistas, através de atividades de Turismo Pedagógico, Turismo Científico e Ecoturismo.

Quer conhecer um pouco mais do projeto? Clique em http://litoralnotacem.com.br/


Como funcionam as atividades do Litoral Nota Cem?

O Projeto Litoral Nota Cem foi criado em 1997 para realizar a interpretação ambiental do litoral paranaense para estudantes e turistas, traduzindo o conhecimento científico disponível sobre a região de forma mais amigável para os ouvintes. De nada adiantaria eu começar a falar sobre a malacofauna bêntica do infralitoral para as pessoas, porque a grande maioria não saberia que eu estou falando sobre os moluscos que vivem no fundo do mar. Os termos técnicos-científicos são de difícil compreensão para quem não é da área, e isso acaba afastando as pessoas das informações importantes sobre a região.

Nosso objetivo principal é mostrar que o litoral do Paraná não tem só praia, mas sim um conjunto de outros lugares e ecossistemas tão legais e importantes quanto a praia. Para tanto, desenvolvemos atividades diretamente nos ecossistemas litorâneos, como manguezais, praias, restingas, costões rochosos e florestas das encostas da Serra do Mar. É difícil você realizar esse trabalho sem considerar as questões sócioculturais envolvidas em cada ecossistema, já que esses são responsáveis pelo fornecimento de vários serviços ambientais para inúmeras pessoas que vivem e visitam a região.

Por exemplo, o manguezal é responsável por quase 60% de todo pescado que você encontra nos mercados de peixe, a porção da restinga que se encontra de fronte a praia protege as construções das ações das ressacas, as florestas sobre a Serra impedem que o solo das montanhas venha a assorear as baías, e os costões rochosos são grande atratores de peixes, o que beneficia pescadores e turistas. Essas atividades estão reunidas em roteiros pedagógicos e científicos, voltados à instituições de ensino, e roteiros de aventura, destinados a turistas e veranistas. A programação está disponível no nosso site http://litoralnotacem.com.br/


De que maneira o turismo científico e o turismo pedagógico podem ajudar no desenvolvimento de Pontal do Paraná?

Tanto o turismo pedagógico como o turismo científico são viagens, cuja a motivação é aprender sobre um determinado local. Para tanto são utilizados os serviços turísticos de alimentação, hospedagem e transporte do município. Como essas atividades acontecem no período letivo, ou seja, na baixa temporada, acaba por ajudar a gerar renda para os comerciantes locais neste período de pouco movimento.


Qual a importância de apresentar os ecossistemas e as comunidades locais para os turistas e visitantes de pontal do Paraná?

Estima-se que 2 milhões de pessoas venham para o litoral em cada temporada de verão e destes, 75% vem para fazer turismo de sol e praia, se aglomerando em uma área da orla que compreende cerca de 12% da área total do litoral. Isso provoca  o impacto em diversos ecossistemas, com destaque para a praia, e provoca a concentração de renda em apenas 3 dos 7 municípios litorâneos. A sensação que eu tenho é que as pessoas acham que o litoral do Paraná é um grande salão de festas, que fica fechado o ano inteiro e que só é aberto na temporada para todo mundo vir aqui e fazer o que quiser. Também percebe-se a predominância do conceito de que o litoral só é legal no verão porque no inverno a água é fria. Essas são questões que precisam ser revertidas e por isso é necessário que essas pessoas conheçam os ritmos naturais e culturais locais para respeito-los, preservá-los e com isso, melhor aproveitá-los.

Por isso é necessário mostrar que o litoral não existe só no verão, e que os outros municípios também possuem atrativos turísticos incríveis que podem ser visitados ao longo do ano. No inverno tem muita coisa legal para se fazer, inclusive é um período mais fresco, com menos chuvas e consequentemente menos mosquitos. É o período perfeito para as atividades de aventura, tanto que a temporada de montanha abre no final de maio. 

 

Nas praias de Pontal do Paraná é possível encontrar lixo de diversos locais do mundo. Como eles chegam até ali?

O lixo marinho internacional é hoje um problema global. Em um trabalho realizado nas praias da Estação Ecológica da Ilha do Mel, encontramos lixo de mais de 40 países diferentes, principalmente embalagens relacionadas a produtos alimentícios. Isso está associado, obviamente, à atividade portuária na região. Normas internacionais obrigam que cada navio desembarque seu lixo no porto de destino. Para isso deve contratar uma empresa especializada para remover os resíduos. Como essa empresa cobra por peso é muito provável que, para baratear os custos, haja o descarte de parte do lixo no mar antes de entrar no porto. Então, um navio que se abasteceu de víveres na china, pode jogar o seu lixo aqui. Depois esse mesmo navio pode se abastecer aqui e jogar o seu lixo nos Estados Unidos, e assim por diante. Como o Brasil não possui uma Guarda Costeira, fica difícil fiscalizar essas atitudes, que geralmente são realizadas de madrugada.

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