Portal da Cidade Pontal do Paraná

entrevista

Retomada do turismo em Paranaguá

Harrison Camargo, Secretário de Turismo de Paranaguá, aborda nessa entrevista a retomada do setor no município.

Postado em 19/09/2021 às 11:26 |

(Foto: Carla Nagibe)

Harrison Camargo, mais conhecido como Canela, casado, dois filhos, experiência de 30 anos na área cultural, comanda a secretaria de Cultura e Turismo de Paranaguá há cinco anos e enfrentou seu maior desafio durante a pandemia. Como secretário de cultura e turismo, teve que administrar a maior crise desses dois segmentos durante a pandemia do Covid-19. Nessa entrevista Harrison conta como administrou a parada total do turismo e da cultura na maior cidade do litoral e na Ilha do Mel, explicando as dificuldades em equilibrar a preservação da vida da comunidade e o retorno as atividades turísticas e culturais.


Foto: Carla Nagibe

Um período difícil administrando os dois setores mais afetados da economia durante a pandemia. De maneira geral, como foi administrar esse momento complicado para a cultura e para o turismo de Paranaguá?

O período de pandemia foi extremamente difícil para a economia como um todo, mas principalmente para as áreas da cultura e do turismo, que paralisaram praticamente cem por cento. Foram três momentos distintos: logo após o período inicial de adaptação em relação ao que estava acontecendo, os picos da pandemia com os decretos que regulamentavam o litoral e depois com da chegada da vacina quando esses setores começaram a ter um certo alento e esperança para os artistas e comerciantes desses setores. Tínhamos que pensar em como as pessoas iriam sobreviver economicamente, mas também em preservar as suas vidas.

Dentro das iniciativas emergenciais do setor cultural, importante ressaltar que a secultur (Secretaria de Cultura e Turismo de Paranaguá) desenvolveu, ainda em abril de 2020, medidas para amortizar a problemática, com a realização de lives musicais, além do lançamento do edital Cultura na Rede e da adequação contratual de oficinas culturais e dos bailes de fandango para a modalidade online. Ainda, a secretaria foi interlocutora do setor de eventos e dos segmentos de bares e restaurantes quanto a manifestação cultural em sua retomada.

Ainda na cultura nos mobilizamos em relação a Lei Aldir Blanc, que foi muito importante para o setor cultural. Ela nos mostrou com mais clareza quem são, onde estão e como atuavam os nossos agentes culturais. Além dos que já mantinham contato com a secretaria, fizemos busca ativa e os próprios artistas ajudaram uns aos outros, para que o recurso chegasse aos que precisavam. Agora em 2021 com o recurso remanescente pretendemos continuar auxiliando o setor cultural que ainda está carente. A grande maioria da cadeia de trabalho da cultura não conseguiu retornar as suas atividades. Um dos pontos importantes, que ganhou muita força nesse período, foi a mobilização da sociedade civil em dialogar e entender o papel do poder público, principalmente na criação de políticas públicas. A Lei Aldir Blanc deve direcionar o setor cultural de maneira diferente a partir de agora.

No turismo, além de Paranaguá, o maior município do litoral paranaense, é também responsabilidade da secretaria a Ilha do Mel. Como foi administrar um dos destinos mais visitados do Paraná, e que vive quase que exclusivamente do turismo?

O maior desafio da nossa secretaria durante o período de pandemia foi a Ilha do Mel, um dos locais onde o turismo parou completamente com a paralisação das travessias para turistas. Trabalhamos intensamente na questão do cuidado em resguardar as comunidades que vivem na ilha, e assim que possível reabrir, pois é um local que vive somente do turismo. Já tínhamos dentro do planejamento da Secretaria de Cultura e Turismo de Paranaguá a implantação de um Sistema de Informação Turística de Paranaguá (SITUR). Dentro dos diálogos que aconteceram entre a prefeitura de Paranaguá, a comunidade, os empresários da Ilha do Mel, Ministério Público, Defensoria Pública e a prefeitura de Pontal do Paraná que também participou das discussões com o Governo do Estado, chegamos a um consenso e a uma opção de controle de acesso. Vários fatores dificultaram a fiscalização, porque a ilha não é uma fazenda que tem um único portão de entrada. Além do efetivo estar envolvido em toda a operação contra a Covid-19, tivemos baixas em relação a contaminação desses agentes que realizavam o controle. Foi uma ação conjunta, um período de muito diálogo e integração das comunidades, empresários, municípios, equipes de saúde, forças de segurança e Governo do Estado. A reabertura da ilha está completando um ano agora em setembro. A triagem que aconteceu foi um desafio grande, que tinha o objetivo de manter o comércio ativo e ao mesmo tempo preservar a comunidade local da ilha.

Nesse período foram tomadas atitudes também voltadas à capacitação dos agentes turísticos, através da oferta de cursos de capacitação em várias áreas pelo município e em parceria com o Sistema S . Tivemos ações que vieram do Ministério do Turismo em parceria com a Adetur Litoral, no sentido de incluir os empreendimentos no Cadastur, para adquirir o Selo do Turismo Responsável. Um dos fatores limitantes naquele momento em relação as capacitações foi o online, que não fazia parte do cotidiano de algumas pessoas.

Recentemente Paranaguá foi sede do maior evento de capacitação de operadoras e agências de ecoturismo e turismo de aventura no Paraná, executado pela ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura), organizado pela Adetur Litoral, com apoio da Prefeitura de Paranaguá e da Fundação Boticário, que visa qualificar a oferta de produtos turísticos do litoral e promover Paranaguá como destino turístico nesse processo de retomada.

Momento de retomada do turismo e da cultura. O que está acontecendo agora e o que está planejado para o futuro desses setores no município de Paranaguá?

Em 2020 tivemos uma parte considerável do nosso orçamento redirecionado para a saúde e como consequência tivemos uma certa limitação de ações.

Falando do continente, Paranaguá é um destino turístico importante, uma cidade com muitos atrativos históricos, como o museu, o aquário, as igrejas e o centro histórico. O turismo de negócios aqui também é forte em função do porto. Na ilha a característica principal é o turismo de aventura, natureza, sol e praia. Outro atrativo importante são os grupos de fandango, nossa marca registrada de cultura. Temos muitos estrangeiros que chegam aqui para conhecer o modo de vida do caiçara, e se dirigem a Ilha dos Valadares. Nossas festas religiosas também atraem muitos turistas.

Retomamos diversos projetos. As obras de revitalização e restauro são demoradas, pois passam por vários órgãos e aprovações. Está em fase de finalização a implantação dos trapiches de Encantadas e Brasília na Ilha do Mel, uma obra do porto através de medida compensatória. A revitalização da Praça Mario Roque já está aprovada e a contratação do projeto executivo da restauração do Palácio Visconde de Nacar também está em andamento. Estamos entrando no estágio de licitação da execução do restauro da casa Eufrida Lobo, que servirá de escola de música além de ser um atrativo histórico importante do centro da cidade. Com parceria do IPHAN vamos resolver o restauro da Casa do Brasão e da Casa do Portão de Ferro na rua da praia. Nos projetos turísticos, está inclusa a implantação de letreiros turísticos em Paranaguá, para promover o Município e atrair mais turistas. Outro projeto que será retomado é a sinalização turística mais complexa do município que atenderá uma grande área, contemplada pelo centro histórico, as colônias e comunidades pesqueiras. O centro de eventos Mega Rocio, que fica em frente ao Santuário do Rocio, foi finalizado em 2020 e agora está recebendo o mobiliário, para recepcionar melhor os romeiros e turistas, e fortalecer o turismo religioso. Também já iniciaram as obras de reforma do trapiche do Rocio. No início de 2021 a Secretaria lançou o Portal Turístico Minha Paranaguá com informações turísticas para os visitantes que desejam conhecer a cidade, bem como para os que já estão aqui terem opções do que fazer. Na ocasião foi lançada a Marca Turística do Município para fomentar e impulsionar a produção de souvenirs e artesanatos que são oferecidos para os turistas enquanto estão na cidade. Quando o turista vai embora, ele quer levar um objeto que simbolize e lembre a viagem e também lembrancinhas para família.

“”Na cultura vamos dar continuidade para que a verba remanescente da Aldir Blanc chegue aos artistas e a toda a cadeia produtiva de cultura do município, e também prosseguimos com o programa ‘Cultura na Rede’.”

O turismo dá sinais de retomada ainda que lentamente. A cultura sofreu modificações na sua forma de expressão, com a necessidade de buscar alternativas através das apresentações pelas mídias sociais. A retomada do turismo de maneira geral no litoral paranaense está sendo discutida entre os municípios e o Governo do Estado. Participei desde o início do planejamento da equipe da saúde nas ações de atendimento ao público como conselheiro, pela minha de experiência com fluxo grande de pessoas, e acompanhei de perto o momento dramático que a saúde do município viveu, até pelo fato do Hospital Regional receber pacientes de todo o litoral, então penso que devemos ter bastante cuidado com esse momento.

“Sigo em conjunto com minha equipe com resiliência e empenho nas ações para o reposicionamento da Cultura e do Turismo no nosso município e região.” Harrison Camargo, Secretário de Cultura e Turismo de Paranaguá



Fonte:

Receba as notícias de Pontal do Paraná no seu WhatsApp.
Clique aqui, é gratis!

Deixe seu comentário

Outras notícias