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As férias podem ser divertidas mesmo na pandemia

Ficar preso em casa nas férias pode não ser o ideal, mas mesmo assim esse pode ser um bom momento para as crianças. Veja dicas

Postado em 17/12/2020 às 19:51 |

Com a chegada das férias, o tempo livre das crianças em casa aumentou ainda mais num ano em que viagens de fim de ano e aglomerações não são recomendadas. Mas como conseguir lidar com dias inteiros sem escola, lição de casa ou atividades escolares que ocupem as crianças e os adolescentes? Apesar de parecer difícil, é possível fazer desse momento uma lembrança positiva para os seus filhos.

Para ajudar você a planejar as suas férias em meio à pandemia de Covid-19, o Plural reuniu algumas dicas de atividades para o dia a dia. Mas, de início, o segredo é que mesmo que os pequenos não tenham mais escola – mesmo que em salas virtuais – ainda precisam seguir uma rotina. Assim, você tem como se organizar com o que precisa fazer, além de ter tempo para relaxar e aproveitar o fim de ano, mesmo que em casa.

O protagonismo das crianças e adolescentes

Para a pesquisadora e professora Lidia Weber, do Departamento de Psicologia e Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é importante que as crianças e adolescentes sejam incluídos no planejamento das férias. Assim, eles sentem que estão fazendo aquilo que desejam e podem ter maior autonomia.

Além disso, por mais que se siga uma rotina, “é preciso entender que entender que são férias, então as crianças podem dormir mais, assistir um pouco mais de TV”, diz Weber. Assim, a melhor forma de evitar estresses desnecessários é conversar com os seus filhos e achar uma rotina em conjunto, tudo com calma.

“Esse é um momento muito atípico, mas as crianças e os adolescentes, até certo ponto, são guiados pelo comportamento dos pais. E por mais que esse seja um momento difícil, os pais precisam lembrar que são os adultos e que tudo isso também é difícil para as crianças”, aconselha Weber.

É importante explicar para as crianças e adolescentes por que eles não podem sair, mesmo sendo férias. Assim, eles não sentem que estão sendo punidos por algo. E, nesse sentido, deixar escolhas nas mãos dos pequenos também pode ser algo positivo para que eles saibam que por maior que sejam as limitações ainda existem alternativas.

“Atividades bacanas podem ser as crianças produzirem um teatro e apresentar para os pais, da forma que quiserem. Ou até mesmo a escolha de um filme. E não importa o quão chato seja, os pais vão assistir junto com as crianças, para que elas sintam que as suas escolhas importam.”

Uma das preocupações impostas pela pandemia de Covid-19 é a saúde mental das pessoas. E, apesar de muitas vezes essa questão ser abordada apenas pelos efeitos na população adulta, crianças e adolescentes também estão sendo afetados por tudo o que está acontecendo.

Em uma pesquisa publicada pela Fiocruz, em que 9.470 adolescentes de 12 a 17 anos foram ouvidos, 30% afirmaram que sua saúde piorou durante a pandemia. Entre os principais sintomas estavam a piora da qualidade do sono, a sensação de isolamento e a tristeza. Sem aulas online, esses sentimentos podem se intensificar, já que o pouco contato escolar que tinham com professores e colegas não vai mais existir.

Nesse cenário, é importante que os adultos ajudem as crianças a entender e lidar com os seus sentimentos. “Assim elas ficam menos inquietas e aprendem a entender o que está acontecendo”, afirma Weber.

Para isso, é possível fazer jogos em que os adultos explicam as emoções básicas para crianças. Fazer desenhos juntos com as crianças que expliquem como é sentir raiva, medo, tristeza e alegria também pode funcionar. Encenações e brincadeiras sobre os sentimentos delas e pelo que elas estão passando podem ajudar a começar a conversa, além de entretê-las.

“Deixe as crianças se expressarem, deixe as crianças pintarem uma parede, pinte e desenhe com elas. E não limpe depois. A criatividade ajuda e, apesar de parecer simples para vocês, pode ser uma memória feliz para os seus filhos”.

O seu momento de paz

Com um ano atípico de tantas formas, os adultos também precisam de um momento de cuidado. E é possível passar as férias com as crianças e ainda conseguir ter momentos de paz e relaxamentos. Mas para isso, é preciso ensinar, principalmente as crianças, a respeitar o espaço e os sentimentos do outro.

“Ensinar a criança a pensar nas outras pessoas é muito interessante, porque é assim que ela cria empatia e compaixão”, diz Weber. E completa: “A criança tem que saber reconhecer o cansaço dos pais e respeitar o seu espaço e tempo”.

Isso pode ser mais difícil para crianças pequenas, mas mesmo elas conseguem entender os sentimentos dos outros com atividades lúdicas. Uma opção é a fala ou escrita para crianças alfabetizadas. É importante deixar que as crianças expressem seus sentimentos por outras pessoas e, depois, conversar para que elas entendam as razões das ações das outras pessoas.

“E temos que aprender a nos perdoar. Alguns dias não vão dar certo, nem tudo vai funcionar tão bem, mas ninguém é o pai ou a mãe perfeita. E as crianças podem entender isso e a gente também precisa saber lidar com isso. Não podemos exigir aquilo que crianças e adolescentes não estão prontas para nos oferecer, não é possível que esperemos que eles sejam perfeitos.”

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