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Vistas do meu ponto

FOI UM PSEUDO FERIADÃO DE CARNAVAL !

Essa semana nosso artigo vai ser dedicado a um breve retrospecto do que foi o nosso Carnaval, ou melhor, nosso “pseudo feriadão de carnaval”.

Postado em 17/02/2021 às 14:06 |


Essa semana nosso artigo vai ser dedicado a um breve retrospecto do que foi o nosso Carnaval, ou melhor, nosso “pseudo feriadão de carnaval”. Para tanto, a fim de retratar a realidade vivida por nossos comerciantes do litoral, fomos buscar informações junto a empresários de Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, e ainda, da Ilha do Mel. A busca incessante pela informação é ponto fundamental para o correto retrato do momento vivido pelos nossos comerciantes.

Vamos começar pela definição / conceituação de “pseudo”. É aquilo que parece ser, mas, não é. Pode ser entendido como aquilo que está sujeito a um contexto, ou até mesmo, ser interpretado como um “engano”. Então, explicando objetivamente o título desse artigo: Nosso Carnaval não foi um Carnaval (ao menos, não teve nada de outros carnavais, além da “denominação”). Certamente, dentro do cenário da pandemia, já sabíamos que seria “diferente”, porém, sempre resta uma esperança, especialmente para os setores que inclusive foram mais arroxados ao longo deste últimos 11 meses.

Só para ficar claríssimo, fazendo um enorme exercício de empatia, temos a consciência que muitos, dentre eles, o Governador e os nossos prefeitos, ficam, como diz o velho ditado, “entre a Cruz e a Espada”, sobremaneira pressionados pela responsabilidade para com a Saúde Pública, bem como pelas necessidades de sobrevivência econômica dos comerciantes, das cidades e do próprio Estado. Logo, o que e como fazer ? Como proceder mediante a pressão de todos os lados, inclusive, por vezes pressões antagônicas ? Mais uma vez, evidenciamos que estas tomadas de decisão não são tarefa fácil, porém, há, de fato, uma enorme necessidade de que os “decretos” não sejam uniformizados para todo o estado, e inclusive, que os nossos prefeitos tenham “certa liberdade de manobra” para tentarem sanear o caos econômico, sem, obviamente, descuidarem dos cuidados sanitários. Mas, vamos direto ao ponto, e aquilo que realmente interessa, qual é a leitura desse pseudo feriadão ? Este é o cenário que passamos a descrever:

Comércio local de bebidas alcoólicas, inclusive dos ambulantes na praia, foi muito abaixo da expectativa (seja porque as pessoas realmente beberam menos, ou porque trouxeram de casa suas bebidas para consumo). Inclusive nos bares, restaurantes e lanchonetes, essa redução de consumo foi facilmente observada. Uma situação interessante, o consumo de cervejas artesanais ou de marcas caras praticamente não se alterou da média esperada. O consumo de pratos caros (mais elaborados), também permaneceu dentro das expectativas. Os grandes restaurantes de Pontal do Paraná (que não são “populares”), por exemplo, garantiram que o movimento foi bom, equivalente a um final de semana de sol.

Os supermercados também não reclamaram (muito). A maioria também afirma ter mantido a média de comercialização de um bom final de semana, porém, proporcionalmente, o volume de vendas foi menor que em anos anteriores. Para os supermercadistas o período de pandemia correspondeu a um aumento do ticket médio de consumo, consequentemente vendas acima da média ao longo de todo o período pandêmico. Inclusive, mais um detalhe importante, relato de proprietário, a venda de produtos mais elitizados, com qualidade superior, vem crescendo. No geral, estes produtos permitem uma margem melhor e vem garantindo a rentabilidade das empresas.

O segmento de variedades e utilidades no decorrer da pandemia amarga e acumula diariamente percas de ganhos. No geral, estas lojas, apresentam um faturamento 40% abaixo da expectativa nesta temporada (sobremaneira as de menor porte - as grandes nem tanto). Na prática, por mais que o empresário consciente já esperasse uma redução das vendas, a quebra foi maior do que o esperado. E ainda, com mais um detalhe, algumas lojas que são os nossos “shoppings” alegaram que o movimento dentro da loja não representou necessariamente vendas (muitas pessoas “passeando”). Este é um setor que os dias ensolarados, no geral, significam menor movimento, pois, as pessoas estarão mais tempo na praia e nas piscinas.

Ultima análise setorial, hotéis e pousadas, inclusive da Ilha do Mel. Movimento abaixo, muito abaixo, do esperado. O cancelamento dos ponto facultativo certamente foi o maior fator de insucesso. A previsão do tempo também erroneamente apresentava um cenário de muitas chuvas (o que não ocorreu). Os “pacotes” de Carnaval que, no geral, representam a rentabilidade destes estabelecimentos quase não tiveram saída. Muitas pessoas, inclusive, fizeram cancelamento das suas reservas (alguns sob a alegação do Covid, mas, muitos que são servidores públicos, pelo cancelamento do “feriadão”). As ocupações, em geral, ficaram em 1/3 da capacidade (30%). O faturamento na casa de 25% da expectativa inicial. Na prática, a maioria das locações foi para diárias individuais, e, alguns “Day Use”. Um detalhe importante, muitos quartos / suites locados na modalidade “single”.

Bom, resumindo, foi um feriadão para aqueles que tem um poder aquisitivo maior (muitos, na verdade, autonomos, empresários liberais, ou aqueles cuja forma de trabalho e rendimento proporcionam a possibilidade de um merecido descanso), porém, isso não significou, sob nenhuma hipótese, necessariamente um “bum” de consumo no comércio local. Tinha muita gente na praia sim (porém, no máximo, uns 40% de um público normal esperado para um “feriadão de Carnaval”). Foram muitas famílias que optaram pelo ”descanso” em núcleo familiar. A quantidade de jovens circulando e consumindo, inclusive, a noite foi muito menor que em anos anteriores. E, concluindo, certamente os servidores públicos fizeram muita falta nesta matemática econômica.


Roberto Stelmacki Junior :.

Cidadão Pontalense e do Litoral Paranaense

Professor, Consultor e Coach

Especialista em Geopolítica, Filosofia e História do Paraná

MBA em Gestão Estratégica de Negócios

Mestre em Administração com Ênfase em Desenvolvimento Territorial

Presidente do ConSeg Pontal do Paraná

Vice-Presidente da ACIAPAR e Consultor da ACIMA e ACIG

Em Pontal do Paraná:

Secretário do Conselho da Comunidade

Membro do Conselho Municipal do Contribuinte

Membro do Conselho Municipal de Turismo

Membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente

Membro do Comitê Organizador do PRODEC

Membro do Comitê de Crise Covid

Fonte:

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